Sonho de tenista leva esporte de elite ao coração do futebol sul-africanoBerço dos dois clubes mais populares da África do Sul, Soweto respira futebol. No distrito que virou símbolo do movimento negro contra o Apartheid, bola na rede tradicionalmente é gol, nunca ponto. Por isso, pensar em um torneio de tênis por aqui, um esporte considerado de elite, poderia parecer loucura, ambição demais. Mas houve quem decidisse contrariar essa lógica. Do sonho nasceram as quadras. E das quadras, um torneio profissional que está em sua segunda edição, o Soweto Open.
O pai da ideia foi o tenista americano Arthur Ashe, vencedor de três Grand Slams, morto em 1993, aos 49 anos, por complicações decorrentes da Aids. Foi Ashe quem lançou e financiou as primeiras obras no complexo que sedia o torneio, batizado em sua homenagem. Mais do que um simples projeto esportivo, foi uma resposta prática ao sistema de segregação racial que tirava todos os direitos dos negros do país. Levar o tênis a Soweto, em pleno Apartheid, mostrou a genialidade de Ashe também fora das quadras.
O tenista americano sofreu a discriminação sul-africana na pele. Negro, teve seu visto de entrada no país negado em 1968, mesmo ano de seu primeiro título de Grand Slam. Desde então, passou a militar contra o regime do Apartheid e o governo da África do Sul.

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