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domingo, 5 de dezembro de 2010

Cambistas revelam esquemas e confirmam envolvimento de PMs

Envolvidos falam sobre escolha de quem abordar, aumento abusivo na revenda de ingressos e até trambique 'interno'
Entre a tarde e a noite da última quarta-feira, milhares de tricolores voltaram para casa desolados por não terem conseguido um ingresso para o jogo que pode garantir ao clube o segundo título do Campeonato Brasileiro, domingo, contra o Guarani. A batalha, que teve início, para alguns, ainda na madrugada de segunda para terça, viu protagonistas paralelos repetirem velhos esquemas e carregarem centenas de bilhetes não por amor ao Fluminense, mas para se beneficiarem da revenda por valores até 500% mais altos do que o estabelecido. A forma de ação dos cambistas, porém, não é simples, como apontaram alguns deles ao GLOBOESPORTE.COM: envolve mapeamento dos pontos, escolha minuciosa de quem ficará na fila em seu lugar, suborno à organização do evento e até "acordos" com a polícia.
Assim, apesar do anúncio oficial de que os 30.170 se esgotaram em 12 horas, poderiam haver mais de mil "rodando" na praça, na quinta-feira de manhã, pelas mãos dessas pessoas, segundo cálculo de um cambista, identificado somente como Marcos. A maioria deles, agora, assegura que só tem "dois ou três" em posse e que passou, sim, a noite acordado em um dos pontos de comercialização para "levantar um dinheirinho extra".
O planejamento do trabalho começa lá atrás, na semana passada. O pessoal (cambistas) se comunica, né, e sabe mais ou menos para onde os outros vão. Eu sofri na fila, peguei sol, e combinei com quatro pessoas para levar uns para mim. Como cada um pode levar três, né... Não quero atrapalhar, não, só poder ajudar a família perto do Natal, nessas épocas é complicado, o olho cresce. Agora, não dá escolher qualquer um (para pedir para comprar). Já saí correndo de gente que queria me bater quando eu abordei. O bom é falar com estudante, que precisa de dinheiro e se assusta - contou o destemido Marcos, informado no meio da conversa que falava com um jornalista, o que não o incomodou muito.
Já saí correndo de gente que queria me bater. O bom é falar com estudante, que precisa de dinheiro".
Outro cambista oferece o suposto par de bilhetes (para os setores Leste e Oeste superior, que custam R$ 80) que lhe sobrou por R$ 250 cada e reclama de quem "traiu" uma certa combinação de preços interna para lucrar mais com o negócio escuso.
- Tem "maluco" querendo R$ 500 "contos", aí é demais. Não faço isso, não. Se você for à rua, lá no Engenhão, por exemplo, encontra. Aos poucos, vai acabando, mas ingresso tem.
Um terceiro elemento disse que não chegou nem a ter 20 entradas e, quando pediu a um colega que lhe fornecesse mais, recebeu dez falsos através de um intermediário. Atento, não pagou e notou que conhecia o homem, o que quase causou uma briga. Já o cambista 4, que contou ser torcedor do Fluminense e que só não venderia o dele, explica a escalada dos preços diante do gasto que se tem para obter o ingresso.
Pô, eu comprei por R$ 75 (setor inferior, meia-entrada de estudante) e "morri" em mais uns R$ 120 entre uma pessoa que eu conheço no ponto de venda para facilitar (posteriormente, disse que a tal pessoa recebe uma senha que o intermediário repete ao chegar ao guichê), um PM, que leva os seus, e o rapaz que pegou mais para mim. Como vou pedir menos de R$ 300? - questionou, na tentativa de convencer.
Fonte:
http://globoesporte.globo.com/

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